domingo, 22 de janeiro de 2012

Um cinema de combate




A guerra fria foi pautada em uma mudança de comportamento e valores culturais de uma grande massa da população. Poucos sabem que estivemos a um passo do ''fim do mundo'', que a guerra que se chamava fria por não ter confronto direto, planejava sim um ataque soviético instalado em Cuba em formas de mísseis capazes de atingir o território dos EUA.
Mas enfim, o que se sabe e não são mais hipóteses, era que, de um lado, os EUA em defensa da individualidade, do livre comércio, da composição do capitalismo, de outro, a URSS defendendo um estado dono das terras, bancos, fábricas, o socialismo.
Nesta mudança de mundos pós segunda guerra mundial, o que se buscava era a reconstrução dos países afetados, e de que maneira seria feita esta reconstrução. Era notório que agora as pessoas quisessem algo definitivo, e que as agradassem, foi quando ambos os lados decidiram investir pesado na propaganda para mostrar suas versões pós guerra bélica, até quem sabe, acidentalmente seguindo uma das ''dicas'' de Schopenhauer, da ridicularização do inimigo quando não se possuí mais argumentos.
Junto da propaganda em suas diversas formas, Não há como negar que o governo dos EUA financiou a indústria do entretenimento, incluindo filmes de Hollywood que transmitiram os valores americanos, dentre eles a Doutrina Truman. Através da CIA, foi feito o financiamento do governo dos EUA para associações culturais, como The National Committee for a Free Europe (Comitê Nacional para Europa Livre), Federação Popular para a Paz e a Liberdade, Rádio Europa Livre... Os Estados Unidos reconheceram cedo a arma de propaganda no conflito da Guerra Fria, e contou até com a criação de uma agência dos EUA responsável pela propaganda, o que mais tarde ficou explicito nos seguintes filmes:

Guilty of Treason (1949)

A história do Cardeal Josef Mindzhenty, um cardeal católico da Hungria que se pronunciou contra a ocupação nazista tanto de seu país durante a Segunda Guerra Mundial e do regime comunista que o substituiu após a guerra. Mindzhenty foi preso, torturado efinalmente libertado, mas foi perseguido na medida em que ele acabou se refugiando na embaixada dos EUA em Budapeste, durante muitos anos, ainda atuando como um porta-voz para os húngaros, que queriam as forças de ocupação russas e seus colaboradores húngaros fora do país.

Big Jim McLain – Aventura Perigosa, 1952, EUA
Sinopse: Tentando acabar com um grupo de arruaceiros do Partido Comunista no Havaí, os investigadores da Câmara dos EUA Mal Baxter (James Arness) e Jim McLain (John Wayne) ignoram o fato de que a filiação ao Partido Comunista era legal na época. Os ''diabos vermelhos'', comunismo, URSS, a possível decadência dos EUA diante a Guerra Fria eram vistos com maus olhos. Desta maneira, era normal usar a palavra comunista para terrorista, e é isto que o diretor Edward Ludwing faz de maneira aberta, vale a pena assistir e tirar suas próprias conclusões.


Moscou Contra 007 - From Russia With Love, 1963
Sinopse: James Bond tem como missão ajudar uma agente soviética a sair de seu país, e após, tentar resgatar uma leitora de códigos na embaixada russa de Londres. Mas James se vê em uma armadilha da criminosa organização Spectre, com a intenção de executá-lo.


Temos também a produção britânica, com destaque a comédia Dr. Fantástico de Stanley Kubrick, 1964.
Sinopse:
Anticomunista, pragmático e insano general americano, Jack Ripper, tem a ideia em uma reunião entre países, de acabar com a URSS em um conflito bélico, o que transformaria a ideia de Guerra Fria. Com genialismo e humor, roteiristas e o diretor Kubrick, intervem toda essa questão com o ator Peter Sellers, que figura três pessoas que podem impedir o possível holocausto, o presidente americano Merkin Muffley, o alemão alcoolizado Dr. Fantástico e o capitão britânico Mandrake.


E as produções mais populares e recentes:

Boa noite, boa sorte, EUA, 2005

Em 1953, um jornalista chamado Edward Murrow puublica as estratégias e mentiras que um senador chamado Joseph McCarthy usava para caçar possiveis comunistas norte-americanos, em um período que foi chamado de macarthismo. Como resposta a publicação, o senador pressiona o jornalista. Neste longa, pode-se observar uma questão bem atual, como a liberdade de expressão e de que maneira a ferramenta das comunicações estão ao verdadeiro e transparente dispor para a nação.

Jogos de Poder, EUA, 2007

No ano de 79 a União Soviética decide ocupar o Afeganistão. Para impedir os vermelhos na região, os EUA decide intervir. Então, surge o deputado Charlie Wilson, ele é convocado por Joanne, uma senhorita cristã a arrecadar fundos para dar armamento as milicias islâmicas do país invadido.
Todos ficam perplexos de como um ''simples'' deputado consegue transformar a situação dos países.

Esses filmes sempre tiveram uma influência sobre o inconsciente coletivo, sobretudo através da construção de uma fantasia do "inimigo", que antes mesmo do plano cinematográfico e da propaganda como arma, nos quadrinhos já eram explícitos.
Mas bem, isso é assunto para outro artigo...



sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

E as indústrias farmacêuticas?

Neste ultimo dia 16 veio a conhecimento por meio do WikiLeaks documentos
que descrevem o funcionamento do lobby americano que permeiam as patentes das
empresas americanas.
Os documentos demonstram as atividades dos diplomatas para persuadir entidades brasileiras com o intuito de não permitir que outros produtos e medicamentos sofram a mesma quebra de patentes dos remédios anti-HIV.

Foi ainda, registrado o documento enviado no mês de setembro de 2003 pelo diplomata Richard Verdin, onde ele demonstra o receio da indústria americana ao dizer que no Brasil havia um sentimento crescente antipatentes.
O nosso país, segundo estes documentos, é mantido em uma lista ''vermelha'' do governo americano, cuidado a olhos sensíveis ao que tange a propriedade intelectual e respeito. Era visto o quanto eles olhavam torto para o Governo Lula, citando que era cedo para observar de fato o compromisso do novo governo.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

WikiLeaks Tupiniquim?

WikiLeaks é uma organização que tem o objetivo de reunir informações sigilosas de empresas ou ainda do governo, publica-las em seu site deixando as fontes seguras no anonimato e ainda dão garantia de que não há rastreamento se você usar o The Onion Router (eu prefiro ainda pensar que é melhor manter meu IP bem seguro).
Parece tudo muito lindo, documentos cheios de verdades clamando ouvidos críticos, mas não é assim. Recentemente Julian Assange, o fundador do WikiLeaks, um mortal como nós mas com uma idéia que anda causando dor de cabeça em muita gente foi acusado de abuso sexual e estupro (tenho vontade de lembrar de soldados alheios que estupraram e mataram crianças, mulheres a um tempo não muito distante de nós por amor a bandeira) o que fez de certa forma o WikiLeaks perder sua credibilidade ou ainda aguçar o curiosidade das pessoas, afinal, quem não quer ter conhecimento daquilo que faz parte?
Agora uma expressão que está sendo usada em diversos sites na web é WikiLeaks Tupiniquim, mas afinal, que querem os brasileiros com esta expressão? Creio que a mesma coisa que eu, você leitor, o traficante e a senhora simpática que limpa a nossa calçada, conhecer de fato o Caos de Dionísio, ou melhor, o mundo que podemos ver e que ainda nos dá o direito de voz, chamado braZil.